É preciso um tormento
Inquietude, pernas contorcendo-se
Uma dor e juro que me entrego
Rasgo fundo e vou
Roer até o osso desse amor
A gente é sempre o contrário do que quer ser
E quem é que cobra todas as horas perdidas?
Não há antídoto para o passado
Pra você que ainda procura sentido
Saiba que a vida é uma abstenção.
Meço o tempo pelas letras
Que apesar de tortas, vigiam e punem
Vez em quando reclamam - "Ei amigo, dê cá um pouco de atenção"
Na cabeça persiste a lei:
"Poeta, teu diminutivo não se aplica!"
Aceito o presente lírico
Dos jasmins da Silveira Martins
Que exalam promessas na mansidão da noite
Onde uma voz teima em gritar
"Desista, desista!"
Mas ontem eu já não podia
Porque o futuro era uma folha em branco
E eu fiz dele gaivota.
Volume 3
terça-feira, 20 de março de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Reincidência
por
Matheus Pinheiro
Suturei teu espaço vazio na cama
Que é pra ver se te expurgo de mim
Está finda a sinfonia de corpos
Está findo teu abraço calado que ultrapassa verões
Me esquivei da tristeza e mergulhei num copo sem fundo
Degenerada
Sou a ratazana da noite
Sou a desgraçada que fecha o bar
E que ninguém duvide da minha alegria por não te ter ao meu lado
Perdi você e ganhei o mundo.
Mas esse mundo tem sabor de desgraça
Na minha cabeça ainda viras pro lado sorrindo quando te acordo com um beijo
Sonolento, rabugenteia uma praga e pergunta se estou com fome
Como se não soubesses que sempre tenho fome de você.
Acho que nunca mais serei feliz
Teu cheiro escondido numa muda de roupa me despedaça
Quero chafurdar na tua imundície
Dividir novamente a penúria
Esquecer dos pecados e replantar a semente
Hoje é permitido perder explicitamente
Estou mansa.
Sim, amor, eu sei que ela tem olhos verdes
Sim, amor, eu sei que ela tem coxas de funk
Sim, amor, eu sei que ela crava as unhas nas tuas costas na hora do prazer
Mas me diga uma coisa, me diga sinceramente: quem nessa vida tem mais vocação para amar-te do que eu?
E se não me aceitas por querer
Que o faças por gratidão
Por todo o amor que te amei.
Que é pra ver se te expurgo de mim
Está finda a sinfonia de corpos
Está findo teu abraço calado que ultrapassa verões
Me esquivei da tristeza e mergulhei num copo sem fundo
Degenerada
Sou a ratazana da noite
Sou a desgraçada que fecha o bar
E que ninguém duvide da minha alegria por não te ter ao meu lado
Perdi você e ganhei o mundo.
Mas esse mundo tem sabor de desgraça
Na minha cabeça ainda viras pro lado sorrindo quando te acordo com um beijo
Sonolento, rabugenteia uma praga e pergunta se estou com fome
Como se não soubesses que sempre tenho fome de você.
Acho que nunca mais serei feliz
Teu cheiro escondido numa muda de roupa me despedaça
Quero chafurdar na tua imundície
Dividir novamente a penúria
Esquecer dos pecados e replantar a semente
Hoje é permitido perder explicitamente
Estou mansa.
Sim, amor, eu sei que ela tem olhos verdes
Sim, amor, eu sei que ela tem coxas de funk
Sim, amor, eu sei que ela crava as unhas nas tuas costas na hora do prazer
Mas me diga uma coisa, me diga sinceramente: quem nessa vida tem mais vocação para amar-te do que eu?
E se não me aceitas por querer
Que o faças por gratidão
Por todo o amor que te amei.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Naufrágio
por
Matheus Pinheiro
Restou esse híbrido de pirata e monge
A habitar esta ilha deserta que se transformou a cama, o quarto, a casa
Onde seu espectro ainda ronda e pergunta se tenho certeza
Como se o amor fosse uma porta que eu pudesse algum dia descruzar.
A força da tua ausência me guilhotina
Tuas despedidas me salgam o peito aflito
A simples idéia de que desse dia em diante tuas carícias estarão para sempre impunes me apavora
Restará a angústia de conhecer o gosto e a ternura de cada pedacinho teu
E cada novo olhar, cheiro, flerte, mãos, pés e cabelos não passarão de disparates
Ofensas, loucuras, agressões contra a memória do nosso amor
Mas todas as palavras já foram ditas
A prerrogativa é sua
A negativa é sã
ao saberem de nós dois?
Sem chave, sem porta, sem fundo, sem janela
Sem oração que te salve
E você me pergunta se eu tenho certeza
Como se meu amor fosse um eucalipto na beira da estrada.
A habitar esta ilha deserta que se transformou a cama, o quarto, a casa
Onde seu espectro ainda ronda e pergunta se tenho certeza
Como se o amor fosse uma porta que eu pudesse algum dia descruzar.
A força da tua ausência me guilhotina
Tuas despedidas me salgam o peito aflito
A simples idéia de que desse dia em diante tuas carícias estarão para sempre impunes me apavora
Restará a angústia de conhecer o gosto e a ternura de cada pedacinho teu
E cada novo olhar, cheiro, flerte, mãos, pés e cabelos não passarão de disparates
Ofensas, loucuras, agressões contra a memória do nosso amor
Mas todas as palavras já foram ditas
A prerrogativa é sua
A negativa é sã
O que dirão os carros, vizinhos, cinemas, jurados de programas de tv,
e enfadonhos da Barra da Tijucamóveis de mogno, parques, poetas, loucos do Pinel, chuvas vindouras,
bandidos da Rocinha, escadarias de pedra, cantores de bolero,
usuários de crack, sacerdotes, artistas de rua
bandidos da Rocinha, escadarias de pedra, cantores de bolero,
usuários de crack, sacerdotes, artistas de rua
No fim é apenas essa dor que você também sente
Mas que requenta e reaproveita
Enquanto eu simplesmente mastigo, calado
Sabendo que a vida não é um filme, uma música, um poema
É o que a gente faz
E nossa história de amor será agora a colcha de retalhos das lembranças que você catar por aí
Nesse purgatório onde se encontra
Mas que requenta e reaproveita
Enquanto eu simplesmente mastigo, calado
Sabendo que a vida não é um filme, uma música, um poema
É o que a gente faz
E nossa história de amor será agora a colcha de retalhos das lembranças que você catar por aí
Nesse purgatório onde se encontra
Sem oração que te salve
E você me pergunta se eu tenho certeza
Como se meu amor fosse um eucalipto na beira da estrada.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Garoa
por
Matheus Pinheiro
A intenção é bonita
Quando meus olhos fitam os teus
Meu riso se alicerça
E você me invade pela porta da frente
Roçando mãos e pés
A sensação é de talvez
Quero ouriçar os teus pêlos e furtar teus minutos
Mas tua presença desnorteia
E eu te abraço devagar
Pra ver se sorvo teu cheiro
Antes que você vá sem mim.
Quando meus olhos fitam os teus
Meu riso se alicerça
E você me invade pela porta da frente
Roçando mãos e pés
A sensação é de talvez
Quero ouriçar os teus pêlos e furtar teus minutos
Mas tua presença desnorteia
E eu te abraço devagar
Pra ver se sorvo teu cheiro
Antes que você vá sem mim.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Bobo
por
Matheus Pinheiro
Na minha casa há um sótão
Onde guardo amarguras
É um lugar pequeno e triste
Cabe apenas o que me dói
Na minha casa há um sótão
Onde aprendo a tocar violão nos dias frios
É lá que minto e fumo
E quando canso de tudo, dedilho o tempo
Na minha casa há um sótão
Onde escondo os mais belos sonetos russos
Que ninguém nunca dá por falta
Na minha casa há um sótão
Que volta e meia desaprendo como chega
Nele coleciono derrotas.
Onde guardo amarguras
É um lugar pequeno e triste
Cabe apenas o que me dói
Na minha casa há um sótão
Onde aprendo a tocar violão nos dias frios
É lá que minto e fumo
E quando canso de tudo, dedilho o tempo
Na minha casa há um sótão
Onde escondo os mais belos sonetos russos
Que ninguém nunca dá por falta
Na minha casa há um sótão
Que volta e meia desaprendo como chega
Nele coleciono derrotas.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Zeca
por
Matheus Pinheiro
Zeca apareceu um dia na casa da minha vó
Passou a morar na soleira da porta
Tinha um radinho de pilha e cabelos cor de neve
Ria das coisas bobas que ouvia no rádio
Torcia pro Flamengo
Roncava alto
Acordava muito cedo
Comia pouco
Cuidava dos passarinhos
Varria o quintal
Jogava damas com as azuis, eu com as verdes
Canhoto ágil
Era o único adulto que chutava minhas canelas sem pudor
Um adversário de valor
Eu não sabia qual era a sua profissão
Ou onde estavam seus filhos
Nem de onde veio, pra onde ia
Mas um dia ele foi
Sem dar trabalho e sem se despedir
Deixou uma saudade na soleira.
Passou a morar na soleira da porta
Tinha um radinho de pilha e cabelos cor de neve
Ria das coisas bobas que ouvia no rádio
Torcia pro Flamengo
Roncava alto
Acordava muito cedo
Comia pouco
Cuidava dos passarinhos
Varria o quintal
Jogava damas com as azuis, eu com as verdes
Canhoto ágil
Era o único adulto que chutava minhas canelas sem pudor
Um adversário de valor
Eu não sabia qual era a sua profissão
Ou onde estavam seus filhos
Nem de onde veio, pra onde ia
Mas um dia ele foi
Sem dar trabalho e sem se despedir
Deixou uma saudade na soleira.
Assinar:
Postagens (Atom)